APAIXONADA POR BUÑUEL, GODARD, CINEMA NOVO, O CINEMA DOS PAÍSES SOCIALISTAS...NOS ANOS 1970 eu achava que seria cineasta. Quem não passou por isso?
Com meu querido Yochiaki Uyeda fiz curso de fotografia na Fau e outro no IMAGEMAÇÃO.
Com Alberto Vieira e Vera Tango saíamos fazendo filmagens pelo centro de São Paulo.
Até comprei uma câmera super 8 e me juntei com a turma do Grife do Abrão Berman, fundei com o Jorge Caron e Fávio Del Carlo a ARES-8 ASSOCIAÇÃO DOS REALIZADORES DE SUPER 8.
ANTES DO VÍDEO IMPERAR o super 8 era a opção assim como o 16 mm para quem queria começar a fazer cinema. OS FESTIVAIS DO GRIFE MOSTRARAM EXCELENTES filmes. Eu resolvi depois de participar de equipes de colegas, fazer minha obra.
UM FILME PRETO, QUEIMADO DE PROPÓSITO COM UNS RABISCOS POR ONDE ENTRAVA A LUZ...TRILHA SONORA DE MUITAS VAIAS COMO QUANDO O FILME NO CINEMA QUEIMAVA...E NO FINAL UM LETREIRO QUE APAGAVA E ACENDIA: "Pior cego é aquele que..."
MEU FILME QUE NÃO ERA FILME foi criticado até por amigos, o Caron chegou a dizer que eu era destrutiva, que tinha riscado meu filme. E devia ter razão.
O Festival do Grife rejeitou a obra.
MINHA JUSTIFICATIVA, MEIO ANÁRQUICA, MEIO VERDADEIRA ERA QUE COM UM FILME PRETO, NEGANDO O PRINCÍPIO DA LUZ E IMAGEM EU QUERIA PROPOR UMA DISCUSSÃO DO QUE É O CINEMA...PRETENSIOSA NÉ?MAS ATÉ QUE FUNCIONOU. Fiz uma projeção no Grife e o debate foi legal, falamos sobre os possíveis usos do cinema, arte, documentário, história do cinema. Mas sempre soube que não iria ser atriz ou diretora, gostava de roteiros, da filmagem e da montagem.
Matei essa vontade no pós graduação da ECA USP COM OS QUERIDOS Eduardo Peñuela e Ismail Xavier. Fiz todos os créditos com nota máxima mas desisti no momento de encontrar um orientador. Tanto o Peñuela como o Ismail estavam lotados...entonces eu desisti. Cheguei a escrever um capítulo de um livro, POLÍTICA E IMAGINÁRIO... ANALIZANDO O REPVBLICA GUARANY DO SILVIO BACK.
Ainda na ECA num curso do Peñuela fizemos o curta CRIMES DA LATA (FUI ASSISTENTE DE PRODUÇÃO) uma experiência divertida e de aprendizado, DIRIGIDO PELO WILSON BARROS, lembro bem da Vânia Debs e da Kátia Coelho II...
Enfim adorei ter vivido tudo isso mas optei por ser bancária no BB. Queria uma vida estável com salário decente. O lado formiga prevaleceu para alimentar o lado cigarra. E eis-me aqui cronicando essas lembranças gostosas.
Revolucionário do flamenco, violonista Paco de Lucía morre aos 66
O violonista espanhol Paco de Lucía morreu nesta quarta-feira (26), em Cancún, no México, vítima de um ataque cardíaco.
A morte do artista, que tinha 66 anos, foi anunciada pelo gabinete de imprensa da Prefeitura de Algeciras, sua cidade natal, na província de Cádiz, no sul da Espanha. A cidade decretou três dias de luto pela perda do "maior violonista de todos os tempos".
Em comunicado oficial, a família do músico diz que "não há consolo nem para os que o conheciam, nem para os que o amavam, sem conhecê-lo". Segundo eles, De Lucía "viveu como quis" e morreu brincando com seus filhos "ao lado do mar". O músico teria passado mal subitamente e morrido a caminho do hospital. "Boa viagem nosso amado", concluem. O artista, que teve cinco filhos, atualmente era casado com Gabriela Carrasco.
Paco de Lucía foi um dos maiores expoentes da música flamenca. A partir dos anos 1960, o artista revolucionou o estilo, então "uma música de museu", com a introdução de novas influências, como o jazz e a bossa nova.
Em 2004, ele recebeu o Prêmio Príncipe das Astúrias das Artes, reconhecimento do governo espanhol à sua contribuição para a cultura. De Lucía era também doutor honoris causa pela Universidade de Cádiz e pelo Berklee College of Music de Boston.
No último mês de novembro, o artista havia feito três apresentações no país —Rio, São Paulo e Porto Alegre. O espanhol não vinha ao Brasil há 16 anos —"porque é muito longe", disse ele, acostumado a tocar especialmente na Europa, à Folha, na época dos shows.
"Abri uma porta para que entrasse ar, com muito respeito à tradição, mas não obediência, o que é muito diferente", disse à reportagem sobre a revolução que promoveu no flamenco. "Por que contar as coisas com dez palavras se você pode usar cem?", comentou sobre a mistura de ritmos que apreciava.
A morte do músico representa "uma perda irreparável para o mundo da cultura, para a Andaluzia", declarou o prefeito de Algeciras, José Ignacio Landaluce. O corpo do músico deve ser enterrado na sua cidade natal.
"A morte de Paco de Lucía transforma o gênio em lenda. Seu legado perdurará para sempre, assim como o carinho que sempre mostrou por sua terra. Apesar dele ter partido, sua música, sua maneira genial de interpretar, seu caráter, sempre estará entre nós", afirmou ainda o prefeito no comunicado.
CARREIRA PRECOCE
Francisco Sánchez Gómez, mais conhecido pelo seu nome artístico, começou a carreira aos 12 anos, quando formou o dueto Los Chiquitos, com seu irmão Pepe nos vocais. O violonista gostava de lembrar que devia a carreira ao pai, Antonio Sánchez, um cantor de flamenco desconhecido.
"Os ciganos são melhores porque escutam a música desde que nascem. Se não tivesse nascido na casa de meu pai, eu não seria ninguém hoje. Não acredito no gênio espontâneo. Meu pai me obrigou a tocar violão desde que era criança", afirmou no livro "Paco de Lucía - Una Nueva Tradición para la Guitarra Flamenca". "Ele [o pai] perguntava 'durante quanto tempo você praticou?'. Eu respondia 'dez ou 12 horas' e via sua cara de felicidade", contou.
O músico, no entanto, dizia não gostar de fazer exercícios tradicionais no instrumento. "Isso de ficar fazendo exercícios no violão é muito chato, me deixa nervoso, me perturba", contou à Folha em novembro passado. Paco, no entanto, era rigoroso antes dos shows: chegava duas horas antes para aquecer as mãos no instrumento.
Com carreira precoce, De Lucía aos 15 anos já colaborava em gravações de discos em Madri e, quando atingiu a maioridade, assinou contrato para seu primeiro álbum.
Na época, conheceu outro músico que virou um mito do flamenco moderno, o cantor Camarón de la Isla (1950-1992), com quem fez grandes colaborações ao longo da carreira.
A morte do artista, que tinha 66 anos, foi anunciada pelo gabinete de imprensa da Prefeitura de Algeciras, sua cidade natal, na província de Cádiz, no sul da Espanha. A cidade decretou três dias de luto pela perda do "maior violonista de todos os tempos".
Em comunicado oficial, a família do músico diz que "não há consolo nem para os que o conheciam, nem para os que o amavam, sem conhecê-lo". Segundo eles, De Lucía "viveu como quis" e morreu brincando com seus filhos "ao lado do mar". O músico teria passado mal subitamente e morrido a caminho do hospital. "Boa viagem nosso amado", concluem. O artista, que teve cinco filhos, atualmente era casado com Gabriela Carrasco.
Paco de Lucía
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O violonista Paco de Lucía durante show em Lisboa em novembro de 2007
Em 2004, ele recebeu o Prêmio Príncipe das Astúrias das Artes, reconhecimento do governo espanhol à sua contribuição para a cultura. De Lucía era também doutor honoris causa pela Universidade de Cádiz e pelo Berklee College of Music de Boston.
No último mês de novembro, o artista havia feito três apresentações no país —Rio, São Paulo e Porto Alegre. O espanhol não vinha ao Brasil há 16 anos —"porque é muito longe", disse ele, acostumado a tocar especialmente na Europa, à Folha, na época dos shows.
"Abri uma porta para que entrasse ar, com muito respeito à tradição, mas não obediência, o que é muito diferente", disse à reportagem sobre a revolução que promoveu no flamenco. "Por que contar as coisas com dez palavras se você pode usar cem?", comentou sobre a mistura de ritmos que apreciava.
A morte do músico representa "uma perda irreparável para o mundo da cultura, para a Andaluzia", declarou o prefeito de Algeciras, José Ignacio Landaluce. O corpo do músico deve ser enterrado na sua cidade natal.
"A morte de Paco de Lucía transforma o gênio em lenda. Seu legado perdurará para sempre, assim como o carinho que sempre mostrou por sua terra. Apesar dele ter partido, sua música, sua maneira genial de interpretar, seu caráter, sempre estará entre nós", afirmou ainda o prefeito no comunicado.
CARREIRA PRECOCE
Francisco Sánchez Gómez, mais conhecido pelo seu nome artístico, começou a carreira aos 12 anos, quando formou o dueto Los Chiquitos, com seu irmão Pepe nos vocais. O violonista gostava de lembrar que devia a carreira ao pai, Antonio Sánchez, um cantor de flamenco desconhecido.
"Os ciganos são melhores porque escutam a música desde que nascem. Se não tivesse nascido na casa de meu pai, eu não seria ninguém hoje. Não acredito no gênio espontâneo. Meu pai me obrigou a tocar violão desde que era criança", afirmou no livro "Paco de Lucía - Una Nueva Tradición para la Guitarra Flamenca". "Ele [o pai] perguntava 'durante quanto tempo você praticou?'. Eu respondia 'dez ou 12 horas' e via sua cara de felicidade", contou.
O músico, no entanto, dizia não gostar de fazer exercícios tradicionais no instrumento. "Isso de ficar fazendo exercícios no violão é muito chato, me deixa nervoso, me perturba", contou à Folha em novembro passado. Paco, no entanto, era rigoroso antes dos shows: chegava duas horas antes para aquecer as mãos no instrumento.
Com carreira precoce, De Lucía aos 15 anos já colaborava em gravações de discos em Madri e, quando atingiu a maioridade, assinou contrato para seu primeiro álbum.
Na época, conheceu outro músico que virou um mito do flamenco moderno, o cantor Camarón de la Isla (1950-1992), com quem fez grandes colaborações ao longo da carreira.