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quarta-feira, 5 de abril de 2017

A FICÇÃO E PUBLICIDADE NOS DOCUMENTÁRIOS DE JEAN MANZON SOBRE INDÚSTRIA.


QUEM IA AO CINEMA NOS ANOS 1950 E 1960 assistia de brinde os documentários do Primo Carbonari e do Jean Manzon. Os de Jean Manzon, com imagens e narração primorosas eram publicidade disfarçadas de documentário. Lembro bem de fábricas limpas, bonitas, máquinas ordenadas e moças bonitas de uniforme, trabalhando felizes. Lembro das garrafas de refrigerando deslizando em passarelas e equipamentos de metal brilhantes...
Com base nisso a gente achava que a indústria brasileira era muito moderna, ordenada, limpa...as bolachas desfilavam em esteiras, as garrafas enchidas por máquinas precisas.
Só agora, com VIGILÂNCIA SANITÁRIA E PROCON além de denúncias em jornais e tv a gente percebe que a coisa não é bem assim. NAS LAVOURAS PESTICIDAS CANCERÍGENOS, NOS ALIMENTOS EMBALADOS PELOS DE RATOS E OUTROS FRAGMENTOS NÃO ALIMENTÍCIOS, CARNE PINTADA DE VERMELHO, SALMÃO PINTADO DE ROSADO...E LÁ SE FOI A ILUSÃO DE LIMPEZAQ, QUALIDADE E EFICIÊNCIA PASSADA PELOS FILMES DO JEAN MANZON...OS FILMES ERAM BONITOS MAS A REALIDADE MUITAS VEZES É BEM FEIA.

http://www.acervojeanmanzon.com.br/

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

A CIGARRA E A FORMIGA SÉCULO XXI

EU como a maioria das pessoas carrego tendências multifocais. Estive sendo formiga por grande parte da minha vida. Na escola, na família, em sociedade. Bem comportada, mesmo resmungando às vezes.  Gostava da escola, sempre gostei de escola. E ao crescer fui trabalhar como todo mundo que precisa ganhar a vida. Fui ser bancária...me adaptei ao formigueiro, cheio de carimbos, recibos, máquinas de escrever,de somar, telefones...meu lado cigarra ficava para as horas livres do trabalho e da faculdade. Tinha vontade de ser musicista ou cantora, mas me contentei em comprar discos. Gostaria de ter sido bailarina mas virei espectadora. Adorava escrever, virei leitora, o desejo de ser cineasta me transformou em cinéfila...sempre do lado de cá, a formiga espiando as cigarras, pagando ingresso para vê-las. E para ser uma formiga culta era preciso acompanhar as cigarras, as cigarras escritoras, artistas de todas as artes...
Hoje sou uma formiga aposentada, usufruindo dos valores acumulados no formigueiro, aquelas folhas cortadas e carregadas na cabeça para alimentar uma rainha grandalhona e procriadora. Com as migalhas me estabeleci num apartamento, com livros, discos e conforto. Tenho o que comer e como pagar minhas contas...mas agora nem tenho mais vontade de brincar de cigarra...muitas cigarras se revelaram vazias, com brilho artificial, com vozes desafinadas, com obras exibicionistas e sem muito recheio...Não, não é inveja de formiga bancária frustrada. É só maturidade. Nem cigarra, nem formiga.